sexta-feira, 30 de abril de 2010

Quem sou EU??? Morgana Fernandes

Quem sou EU???

Pois é que pergunta providencial, hoje me deu vontade de dizer quem sou, de como estou, de pensar a respeito, então que assim seja...

Eu sei quem sou, coisa rara nesse mundo, onde as pessoas preferem parecer ao invés de SER...

Sou Morgana, para os amigos a Morg, não faço tipo, nem me esforço pra ser diferente do que realmente sou, amiga fiel, olho nos olhos, seguro nas mãos, tento enxergar a alma e entrar no coração, amo meus amigos e sempre estarei aqui pra todos eles, acho que muitos não tem noção da importância quem tem em minha vida, a diferença que um simples sorriso, um abraço sincero e uns bons puxões de orelha podem fazer, alguns mesmo de longe sempre conseguem advinhar quando mais preciso deles e surgem do meio do nada, me oferecendo seu amor e amizade incondicional...


Me orgulho de ser imperfeita, confio nas pessoas e me importo com elas, me entrego de coração, não adianta não sei ser mais ou menos, me entrego as minhas causas, aos meus amigos, aos meus amores, falo nossa como eu falo, as vezes juro que tento ficar calada, mas é impossível, não impossível é uma palavra que não consta no meu dicionário, diria que não tento de coração, a vontade de falar é maior, mas tenho meus momentos de silêncio, de renuncia, as vezes até de solidão, enfim acredito em sonhos, mas acredito que sonhos tem de ser materializados e não sei esperar por qualquer dia destes, tenho urgência de viver, tenho urgência de realizar, tenho urgência de mudar seja o que for, mas sou humana, sendo assim acredito em contos de fada e até em príncipes, sei que eles existem, mas já não tenho tanta certeza que sejam pra mim, não tenho lá muita vocação pra cinderela, (risos), acredito no amor, sincero, descompromissado, leal, puro, amor verdadeiro, que brota de um sorriso, de um cuidado, de uma entrega, de um momento ou que brota sem motivo e sem razão aparente, mas bate fundo no coração, transforma a vida, ilumina os dias, dá vida a vida, mas principalmente acredito na amizade, na amizade sincera, aquela que não te impede de cair, mas que te mostra quanta força tens pra levantar e seguir em frente, mesmo que venham noites traiçoeiras, fases ruins, não existe problema grande d+, pra quem tem um amigo, pra quem tem um sonho, pra quem acredita e luta pelo que acredita, e ao final ou melhor ao recomeço sei que estarei mais forte e devo parte disso a essas pessoas incríveis que fazem parte da minha vida, bom era pra falar de "quem sou eu" mas hoje dedico este post a meus amigos, pois são eles que sempre me fazem lembrar de quem realmente SOU em momentos que nem EU lembro mais...

E a vocês anjos da minha vida, obrigado por andarem comigo, por seguirem ao meu lado, ajudando a construir meus sonhos, fazendo dos meus os nossos sonhos, segurando minha mão e afagando meu coração, isso sim que é amor, isso sim é parte do todo que me compõe, isso sim é o que SOU...


Amo Vocês!!!


Morgana Fernandes

Leve brisa a tempestade... Morgana Fernandes

Leve brisa à tempestade...
 
Hoje em meio a minha eterna confusão mental, parei pra pensar a respeito das voltas que a vida dá,
de como tudo é tão provisório e inconstante, não existem verdades absolutas, nada é eterno, tudo é móvel e passageiro, pessoas passam por nossas vidas, algumas como uma leve brisa, fresca, agradável, te fazem suspirar por alguns instantes, seu coração bate acelerado, brisas encantadoras porém passageiras.
 
Existem aquelas ainda que cheguem como a chuva, dependendo de qual estação nos encontre, as receberemos bem ou as receberemos mal, um banho de chuva depois de um dia de praia em um final de tarde quente de verão, é mágico, é revigorante, excitante até, porém em uma manhã fria de inverno em plena segunda feira a caminho do trabalho chega a ser maldição...
 
Mas as que realmente me tiram o sono são aquelas que se dizem calmaria, que se dizem tardes de outono, te confortem te acolhem, te afaguem, te estendem a mão tão voluntariamente, tão despretensiosamente, que chegas a nem perceber o quão dependente te tornastes destas agradáveis tardes de outono, que nos envolvem com sua paz e tranqüilidade, sua oferta incansável de cuidados e carinhos, nos levam a entrega, ao delírio do eterno, e achamos que enfim é chagada a hora de dar sossego ao coração, de deixar de lado a montanha russa de emoções que envolvem nossa existência, até que enfim, sem muito aviso, sem muita antecipação, sem nenhum alerta, a mansa tarde de outono se transforma em um furacão, devastador, aterrorizador, uma simples mudança de atitude e tudo que acreditávamos ser já não é mais, toda a segurança a qual nos acostumamos, cede lugar a essa inconstância perturbadora, ensurdecedora que grita alto e toca fundo em cada uma das suas fragilidades, atinge teus medos mais ocultos e quando paramos pra pensar, nos sentimos como a menina que os pais esconderam no abrigo pra fugir do furacão e passa horas trancada sabendo que o mundo lá em cima está virando do avesso e quando volta a superfície, meio sem saber por onde começar, vai juntando os cacos e tentando encontrar de novo uma maneira de limpar toda a sujeira causada pela tormenta, sente-se só, caminha perdida, recolhe cada pedaço com suas próprias mãos, uma imagem que de longe parece inútil, mas pra ela é a certeza de que por mais forte que sejam os ventos, por piores que sejam os danos causados, por mais inesperado que tenha sido e mesmo que ela esteja sozinha em meio a toda aquela destruição e só consiga reconhecer vestígios de tudo aquilo que sempre lhe garantiu segurança, sempre é possível recomeçar...
 
Morgana Fernandes 30/04/2010
 

quinta-feira, 29 de abril de 2010

HORA DA FAXINA - MORGANA FERNANDES

HORA DA FAXINA
 
Hoje zerei minha caixa de emails, zerei minha pagina de recados, limpei minha agenda do telefone, arrumei a mesa, deletei mensagens que só me traziam lembranças de coisas que já se foram e nunca mais voltarão a ser, hoje é meu dia de faxina, sempre fui muito apegada a tudo, tudo mesmo, até papel de rascunho, mas hoje decidi que quero jogar fora, confesso com certo pesar e até dor no coração, vou jogar fora tudo aquilo que não agrega felicidade a minha vida, as fotos, as lembranças, os objetos, faxina geral, faxina total, primeiro as coisas físicas, posso até ter os números de telefone gravados na cabeça, os endereços da casa, do email, mas excluir da agenda e fazer um esforço quase sobre-humano no inicio, para não ligar, no primeiro dia vai ser uma tortura, no segundo um pouco menos e com o passar dos dias, os números irão sumir também da mente e se não tiver gravados na agenda, chegara o dia em que milagrosamente nem que eu queira conseguirá lembrar, se não lembrar não vai ligar, vai evitar a humilhação do desprezo e da indiferença, acho que esquecer de verdade é pedir muito, porém com certeza ajudará a deixar de lembrar, até que um dia como num passe de mágica terá virado um velho fantasma que não assombra, não atormenta, não machuca que não assusta mais e mesmo que esteja ali diante dos seus olhos, não o fará tremer, não abalará sua paz, porque nada do que fez apaixonar-se fará sentido, levando em conta todo o descaso e indiferença vivida no final.
 
Para tirar do coração, tem que primeiro expulsar da mente, exorcizar do corpo, da alma, da vida, amizade, alguém que faz pouco do seu amor, que é indiferente a sua dor, será que precisamos de um amigo assim???
Ter como amigo um amor que doeu de uma história que terminou alheia a sua vontade é a melhor forma de manter o corte aberto, sangrando, bom mesmo é abandonar, deletar, excluir, ignorar de todas as formas possíveis, somente desta forma a cicatriz vai fechar, e aos poucos começa a parar de sangrar, os dias vão deixando de ser intermináveis e essa angustia começa a desaparecer, continuar amando sozinho dói e enfrentar a indiferença e o desprezo do ser amado é de matar, mas se fizermos um faxina bem feita não é preciso sofrer mais que o necessário e ao final, você sentirá o sol entrar pela janela, refletindo a beleza que há em você e não um monte de entulhos de uma história que se foi, permitindo que os outros consigam enxergar você de casa limpa, e coração aberto...
 
MORGANA FERNANDES – 29/04/2010
 

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Levar um "FORA" - Morgana Fernandes


Levar um fora...

Nos últimos dias andei pensando muito a respeito disso, porque ficamos tão deprimidos quando levamos um fora?
Muitas vezes a relação nem nos interessa mais, ou não nos satisfazia da forma que precisávamos, ou não fazia nenhum sentido, mas levar um fora é sempre traumático, causa uma dor quase física, cortante, dói não adianta, pode doer 5 minutos e depois você vai rir de tudo, pode durar um final de semana, um mês, um ano, uma vida, não importa, levar um fora sempre dói, cabe a nós decidir quanto tempo e energia iremos desperdiçar de nossas tão valiosas vidas, presos a este acontecimento alheio a nossa vontade, ou em algumas vezes nem tão alheio assim, e esquecemos o quão libertador pode ser o famoso “FORA” o “PÉ NA BUNDA”, se analisarmos com outros olhos, veremos o sabor de liberdade que pode haver em um “fora”, se o cara te deu um “fora” sem dó nem piedade, se te deixou tonta, tola, perdida, sem entender coisa nenhuma (embora no fundo você entenda tudo, mas se nega a acreditar), pensa que era devido, ou que não era devido, permita-se sofrer, 5 minutinhos, 5 horas, 5 dias, mas não deixe de viver e principalmente de ver tudo que ocorre ao seu redor, se levou um fora, é porque a relação já não era mais como deveria ser, como te faria feliz, fique grata pela pessoa ter sido honesta com você e ter te libertado de viver infeliz ao lado dela, chore, sofra, mas não a vida inteira, não se faça de vitima, nem odeie o outro por não te amar mais, por você ter deixado de ser importante pra ele, agradeça-o por dar a você a chance de encontrar alguém melhor que lhe fará mais feliz, ou até mesmo de você descobrir o quanto feliz pode ser consigo mesma, com seus amigos, com seus amantes, com seus livros, suas viagens, seus discos, suas inúmeras possibilidades, pense que no final das contas aquele que era tão especial, torna-se mais um, um qualquer, um homem que não te trata como você merece, que é grosseiro, rude, que te deixa sozinha justo quando você mais precisa de apoio, que te nega um ombro e amizade, que esquece tudo que você representou na vida dele enquanto estavam juntos, todas as vezes que foi ele a precisar do seu colo, ele não merece seu amor, seu carinho, suas lagrimas, ele não é digno nem dos seus pensamentos, aquele ser que você julgava especial, torna-se um estranho, um completo desconhecido diante dos teus olhos, o homem que você amava não existe mais, e ninguem sofre por algo que nem existe, sofre???

Nunca se esqueça de uma regra importante, se você não se amar e se respeitar em primeiro lugar, não espere que outra pessoa o faça, tenha certeza de que as pessoas te tratarão exatamente como você permitir que te tratem, não espere flores se você geralmente aceita bem os espinhos... Queria as rosas, deixe claro que não aceita menos que isso, que você quer a beleza das rosas, pois tem a certeza que é digna delas e se alguem te oferecer menos que isso, não chore, não lamente, é apenas um sinal de que não é digno de você e deixe o caminho livre para algo melhor que está a sua espera!!!

Então levante a cabeça, coloque seu melhor vestido, deixe-se perceber, permita-se conhecer e siga feliz até encontrar seu grande amor ou até levar um próximo “FORA”...

Morgana Fernandes

Uma pessoa é unica ao estender a mão e se torna mais uma ao recolhe-la inesperadamente. O egoismo unifica os insignificantes... Martha Medeiros!!!

quinta-feira, 22 de abril de 2010

A IMPONTUALIDADE DO AMOR - Martha Medeiros

Definitivamente estou numa fase muito Martha Medeiros, uma fase onde não estou conseguindo expressar com minhas palavras, por isso Martha fala por mim, aquilo que não consigo expressar...


A IMPONTUALIDADE DO AMOR

Você está sozinho. Você e a torcida do Flamengo. Em frente a tevê, devora dois pacotes de Doritos enquanto espera o telefone tocar. Bem que podia ser hoje, bem que podia ser agora, um amor novinho em folha.

Trimmm! É sua mãe, quem mais poderia ser? Amor nenhum faz chamadas por telepatia. Amor não atende com hora marcada. Ele pode chegar antes do esperado e encontrar você numa fase galinha, sem disposição para relacionamentos sérios. Ele passa batido e você nem aí. Ou pode chegar tarde demais e encontrar você desiludido da vida, desconfiado, cheio de olheiras. O amor dá meia-volta, volver. Por que o amor nunca chega na hora certa?

Agora, por exemplo, que você está de banho tomado e camisa jeans. Agora que você está empregado, lavou o carro e está com grana para um cinema. Agora que você pintou o apartamento, ganhou um porta-retrato e começou a gostar de jazz. Agora que você está com o coração às moscas e morrendo de frio.

O amor aparece quando menos se espera e de onde menos se imagina. Você passa uma festa inteira hipnotizado por alguém que nem lhe enxerga, e mal repara em outro alguém que só tem olhos pra você. Ou então fica arrasado porque não foi pra praia no final de semana. Toda a sua turma está lá, azarando-se uns aos outros. Sentindo-se um ET perdido na cidade grande, você busca refúgio numa locadora de vídeo, sem prever que ali mesmo, na locadora, irá encontrar a pessoa que dará sentido a sua vida. O amor é que nem tesourinha de unhas, nunca está onde a gente pensa.

O jeito é direcionar o radar para norte, sul, leste e oeste. Seu amor pode estar no corredor de um supermercado, pode estar impaciente na fila de um banco, pode estar pechinchando numa livraria, pode estar cantarolando sozinho dentro de um carro. Pode estar aqui mesmo, no computador, dando o maior mole. O amor está em todos os lugares, você que não procura direito.

A primeira lição está dada: o amor é onipresente. Agora a segunda: mas é imprevisível. Jamais espere ouvir "eu te amo" num jantar à luz de velas, no dia dos namorados. Ou receber flores logo após a primeira transa. O amor odeia clichês. Você vai ouvir "eu te amo" numa terça-feira, às quatro da tarde, depois de uma discussão, e as flores vão chegar no dia que você tirar carteira de motorista, depois de aprovado no teste de baliza. Idealizar é sofrer. Amar é surpreender.
Martha Medeiros

terça-feira, 20 de abril de 2010

A TRISTEZA PERMITIDA - Marta Medeiros

A TRISTEZA PERMITIDA (Marta Medeiros)

Se eu disser pra você que hoje acordei triste, que foi difícil sair da cama, mesmo sabendo que o sol estava se exibindo lá fora e o céu convidava para a farra de viver, mesmo sabendo que havia muitas providências a tomar, acordei triste e tive preguiça de cumprir os rituais que faço sem nem prestar atenção no que estou sentindo, como tomar banho, colocar uma roupa, ir pro computador, sair pra compras e reuniões – se eu disser que foi assim, o que você me diz? Se eu lhe disser que hoje não foi um dia como os outros, que não encontrei energia nem pra sentir culpa pela minha letargia, que hoje levantei devagar e tarde e que não tive vontade de nada, você vai reagir como?

Você vai dizer “te anima” e me recomendar um antidepressivo, ou vai dizer que tem gente vivendo coisas muito mais graves do que eu (mesmo desconhecendo a razão da minha tristeza), vai dizer pra eu colocar uma roupa leve, ouvir uma música revigorante e voltar a ser aquela que sempre fui, velha de guerra.

Você vai fazer isso porque gosta de mim, mas também porque é mais um que não tolera a tristeza: nem a minha, nem a sua, nem a de ninguém. Tristeza é considerada uma anomalia do humor, uma doença contagiosa, que é melhor eliminar desde o primeiro sintoma. Não sorriu hoje? Medicamento. Sentiu uma vontade de chorar à toa? Gravíssimo, telefone já para o seu psiquiatra.

A verdade é que eu não acordei triste hoje, nem mesmo com uma suave melancolia, está tudo normal. Mas quando fico triste, também está tudo normal. Porque ficar triste é comum, é um sentimento tão legítimo quanto a alegria, é um registro de nossa sensibilidade, que ora gargalha em grupo, ora busca o silêncio e a solidão. Estar triste não é estar deprimido.

Depressão é coisa muito séria, contínua e complexa. Estar triste é estar atento a si próprio, é estar desapontado com alguém, com vários ou consigo mesmo, é estar um pouco cansado de certas repetições, é descobrir-se frágil num dia qualquer, sem uma razão aparente – as razões têm essa mania de serem discretas.

“Eu não sei o que meu corpo abriga/ nestas noites quentes de verão/ e não me importa que mil raios partam/ qualquer sentido vago da razão/ eu ando tão down...” Lembra da música? Cazuza ainda dizia, lá no meio dos versos, que pega mal sofrer. Pois é, pega mal. Melhor sair pra balada, melhor forçar um sorriso, melhor dizer que está tudo bem, melhor desamarrar a cara. “Não quero te ver triste assim”, sussurrava Roberto Carlos em meio a outra música. Todos cantam a tristeza, mas poucos a enfrentam de fato. Os esforços não são para compreendê-la, e sim para disfarçá-la, sufocá-la, ela que, humilde, só quer usufruir do seu direito de existir, de assegurar seu espaço nesta sociedade que exalta apenas o oba-oba e a verborragia, e que desconfia de quem está calado demais. Claro que é melhor ser alegre que ser triste (agora é Vinícius), mas melhor mesmo é ninguém privar você de sentir o que for. Em tempo: na maioria das vezes, é a gente mesmo que não se permite estar alguns degraus abaixo da euforia.

Tem dias que não estamos pra samba, pra rock, pra hip-hop, e nem pra isso devemos buscar pílulas mágicas para camuflar nossa introspecção, nem aceitar convites para festas em que nada temos para brindar. Que nos deixem quietos, que quietude é armazenamento de força e sabedoria, daqui a pouco a gente volta, a gente sempre volta, anunciando o fim de mais uma dor – até que venha a próxima, normais que somos.
Martha Medeiros

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Mais uma vez... Martha Medeiros... A DOR QUE DÓI MAIS...

A DOR QUE DÓI MAIS

Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, dóem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é saudade.
Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, quando se tinha mais audácia e menos cabelos brancos. Dóem essas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o aeroporto e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.

Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua clareando o cabelo. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango de padaria, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua pescando, se ela continua lhe amando.

Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.

Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer.
Martha Medeiros

OBRIGADO POR INSISTIR - Martha Medeiros

OBRIGADO POR INSISTIR

Até o mais seguro dos homens e a mais confiante das mulheres já passaram por um momento de hesitação, por dúvidas enormes e dúvidas mirins, que talvez nem merecessem ser chamadas de dúvidas, de tão pequenas. Vacilos, seria melhor dizer. Devo ir a este jantar, mesmo sabendo que a dona da casa não me conhece bem? Será que tiro o dinheiro do banco e invisto nesta loucura? Devo mandar um e-mail pedindo desculpas pela minha negligência? Nesta hora, precisamos de um empurrãozinho. E é aos empurradores que dedico esta crônica, a todos aqueles que testemunham os titubeios alheios e dizem: vá em frente!
“Obrigada por insistir para que eu pintasse, que eu escrevesse, que eu atuasse, obrigada por perceber em mim um talento que minha autocrítica jamais permitiria que se desenvolvesse.”
“Obrigada por insistir para que eu fosse visitar meu pai no hospital, eu não me perdoaria se não o tivesse visto e falado com ele uma última vez, eu não teria ido se continuasse sendo regida apenas pela minha teimosia e orgulho.”
“Obrigada por insistir para que eu conhecesse Veneza, do contrário eu ficaria para sempre fugindo de lugares turísticos e me considerando muito esperta, e com isso teria deixado de conhecer a cidade mais surreal e encantadora que meus olhos já viram.”
“Obrigada por insistir para que eu fizesse o exame, para que eu não fosse covarde diante das minhas fragilidades, só assim pude descobrir o que trago no corpo para tratá-lo a tempo. Não fosse por você, eu teria deixado este caroço crescer no meu pescoço e me engolir com medo e tudo.”

“Obrigada por insistir para eu voltar pra você, para eu deixar de ser adolescente e aceitar uma vida a dois, uma família, uma serenidade que eu não suspeitava. Eu não sabia que amava tanto você e que havia lhe dado boas pistas sobre isso, como é que você soube antes de mim?”
“Obrigada por insistir para que eu deixasse você, para que eu fosse seguir minha vida, obrigada pela sua confiança de que seríamos melhores amigos do que amantes, eu estava presa a uma condição social que eu pensava que me favorecia, mas nada me favorece mais do que esta liberdade para a qual você, que me conhece melhor do que eu mesma, apresentou-me como saída.”
“Obrigada por insistir para que eu não fosse àquela festa, eu não teria agüentado ver os dois juntos, eu não teria aturado, eu não evitaria outro escândalo, obrigada por ficar segurando minha mão e ter trancado minha porta.”
“Obrigada por insistir para eu cortar o cabelo, obrigada por insistir para eu dançar com você, obrigada por insistir para eu voltar a estudar, obrigada por insistir para eu não tirar o bebê, obrigada por insistir para eu fazer aquele teste, obrigada por insistir para eu me tratar.”
Em tempos em que quase ninguém se olha nos olhos, em que a maioria das pessoas pouco se interessa pelo que não lhe diz respeito, só mesmo agradecendo àqueles que percebem nossas descrenças, indecisões, suspeitas, tudo o que nos paralisa, e gastam um pouco da sua energia conosco, insistindo.

Martha Medeiros

sexta-feira, 16 de abril de 2010

O Quereres - Caetano Veloso

Onde queres revólver sou coqueiro, onde queres dinheiro
sou paixão
Onde queres descanso sou desejo, e onde sou só desejo
queres não
E onde não queres nada, nada falta, e onde voas bem
alta eu sou o chão
E onde pisas no chão minha alma salta, e ganha
liberdade na amplidão
Onde queres família sou maluco, e onde queres
romântico, burguês
Onde queres Leblon sou Pernambuco, e onde queres
eunuco, garanhão
E onde queres o sim e o não, talvez, onde vês eu não
vislumbro razão
Onde queres o lobo eu sou o irmão, e onde queres
cowboy eu sou chinês
Ah, bruta flor do querer, ah, bruta flor, bruta flor
Onde queres o ato eu sou o espírito, e onde queres
ternura eu sou tesão
Onde queres o livre decassílabo, e onde buscas o anjo
eu sou mulher
Onde queres prazer sou o que dói, e onde queres
tortura, mansidão
Onde queres o lar, revolução, e onde queres bandido eu
sou o herói
Eu queria querer-te e amar o amor, construírmos
dulcíssima prisão
E encontrar a mais justa adequação, tudo métrica e
rima e nunca dor
Mas a vida é real e de viés, e vê só que cilada o amor
me armou
E te quero e não queres como sou, não te quero e não
queres como és
Onde queres comício, flipper vídeo, e onde queres
romance, rock'n roll
Onde queres a lua eu sou o sol, onde a pura natura, o
inceticídeo
E onde queres mistério eu sou a luz, onde queres um
canto, o mundo inteiro
Onde queres quaresma, fevereiro, e onde queres
coqueiro eu sou obus
O quereres e o estares sempre a fim do que em mim é de
mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal, bem a ti, mal ao
quereres assim
Infinitivamente pessoal, e eu querendo querer-te sem
ter fim
E querendo te aprender o total do querer que há e do
que não há em mim

Rosas - Ana Carolina

Que mulher não gosta de ROSAS...

A musica que há em mim no dia de hoje...

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Rosas - Ana Carolina

Você pode me ver do jeito que quiser
Eu não vou fazer esforço pra te contrariar
De tantas mil maneiras que eu posso ser
Estou certa que uma delas vai te agradar

Porque eu sou feita pro amor da cabeça aos pés
E não faço outra coisa do que me doar
Se causei alguma dor não foi por querer
Nunca tive a intenção de te machucar

Porque eu gosto é de rosas e rosas e rosas
Acompanhadas de um bilhete me deixam nervosa
Toda mulher gosta de rosas e rosas e rosas
Muitas vezes são vermelhas mas sempre são rosas

Se o teu santo por acaso não bater com o meu
Eu retomo o meu caminho e nada a declarar
Meia culpa cada um que vá cuidar do seu
Se for só um arranhão eu não vou nem soprar

Porque eu sou feita pro amor da cabeça aos pés
E não faço outra coisa do que me doar
Se causei alguma dor não foi por querer
Nunca tive a intenção de te machucar

Porque eu gosto é de rosas e rosas e rosas
Acompanhadas de um bilhete me deixam nervosa
Toda mulher gosta de rosas e rosas e rosas
Muitas vezes são vermelhas mas sempre são rosas